Como toda a actividade humana, a corrida de montanha perde-se na noite dos tempos. Ela tomou forma, inicialmente, pelo desejo de conquista dos picos que através do olhar, nostálgico e por vezes inquieto, os ocupantes do fundo dos vales dirigiam há muito as suas atenções.
Já na antiguidade numerosos paisagens alpinas testemunharam a passagem de tropas organizadas ou de hordas selvagens. Mas, anterior à conquista dos maiores picos do tecto do Mundo, já desportistas do Mundo inteiro sonhavam com o confronto, através da corrida, com as encostas mais ou menos abruptas. Nos anos 30, padres dos Pirinéus e atletas profissionais defrontaram-se na ascensão ao Pic do Midi enquanto que, sensivelmente na mesma data, do outro lado do canal da Mancha, aristocráticos gentlemen’s um pouco extravagantes defrontavam-se de igual modo através da corrida pedestre na conquista das Higlands do norte da Escócia.
Após a 2ª Guerra Mundial, em finais da década de 60, aparecem as primeiras competições organizadas em solo suiço onde, como é evidente, o quadro natural aprestava-se a tal de forma perfeita. Nessa ocasião não existia vale que não tivesse a sua corrida com desnível mais ou menos impressionante, em provas com distâncias curtas e que basicamente eram compostas como uma subida até ao refúgio que coroa cada cumeada.
Veiculadas pelo movimento Spiridon, tendo as mesmas servido em parte como mensageiras deste espírito novo de sentir a corrida pedestre, nada de mais normal que tenha sido a um spiridoniano, Jacques Berlie, que tenha sido confiada a tarefa de reagrupar pela primeira vez estas corridas num campeonato, neste caso o C.I.M.E. (Taça Internacional de Montanha), que viveu belos dias até meados de 80. Ao mesmo tempo, a corrida de montanha estruturava-se principalmente na Europa, mas de igual modo conhecia uma propagação em todos os continentes, nascendo belas clássicas (Monte Camarão, Colorado, ...).
Foi de igual modo inevitável que entre os participantes nas corridas helvéticas, vindos de todos os horizontes, não se encontrasse ninguém a querer imitar o exemplo da C.I.M.E. à escala nacional ou regional. Apareceram assim em quase todos os maciços montanhosos os vários Challengers, iniciativas privadas que não deixaram as instâncias oficiais do atletismo indiferentes, quer à escala nacional quer à escala internacional. Desta forma iniciaram-se as organizações das Taças da Europa e Taça do Mundo de Montanha.
Em Portugal, a 1ª prova de montanha digna desse nome teve lugar a 6 de Março de 1983 com a realização dos 12 Kms Manteigas - Penhas Douradas, acompanhada a breve trecho pela realização de outras provas do género um pouco por todo o país. Provas como a Corrida do Monge - Serra de Sintra (1ª edição em 1984), 17 Kms Porto de Mós – Serra d’Aire, Subida do Vale da Bouça ou Escalada ao Cerro de São Miguel – Moncarapacho datam da década de 80 e tornaram-se clássicas do género a par de outras (14 kms de Sintra "Montanha Verde", Subida ao Monte Faro, etc.) cujo sucesso inicial não teve continuidade até se abandonar a sua organização.
Em meados da década de 90 deu-se o decisivo passo para a implantação das provas de montanha no nosso país com a criação do DESAFIO 95 – Troféu de Corrida de Montanha, 1º circuito competitivo dedicado em exclusivo às provas de montanha em Portugal e que reuniu na ocasião 9 provas, de Março a Outubro desse ano.
Implantado esse mesmo quadro competitivo, hoje aberto a outros tipos de terreno de forma a albergar no seu seio provas em ambientes de natureza mas fora do relevo montanhoso, o DESAFIO 2003 – IX Troféu de Aventura e Natureza tem agora a companhia de um quadro competitivo unicamente voltado para as competições de montanha em Portugal, criando-se assim o Circuito Nacional de Montanha’2003, num conjunto de provas cujos percursos proporcionarão aos nossos melhores atletas uma rodagem ao longo da época neste tipo de competições, com a necessária compensação que essa fidelidade à montanha exige, ao mesmo tempo que se espera a presença dos anónimos corredores de pelotão que semanalmente desejem medir forças com a montanha.
Ao organizar o Circuito Nacional de Montanha’2003 e o DESAFIO 2003 – IX Troféu de Corrida de Montanha, em colaboração com as entidades públicas e privadas que acreditam na validade deste tipo de actividades, TERRAS DE AVENTURA orgulha-se de contribuir para o desenvolvimento da prática desportiva em contacto com a natureza, sem dúvida uma mais valia a não desprezar no limiar do século XXI.
SEJAM TODOS BEM VINDOS !!!